Moradores de prédio interditado em São José querem ser ressarcidos
Os 45 moradores do bloco 3 do edifício Praia Comprida, em São José, na Grande Florianópolis, que tiveram que ficar dois dias fora do prédio, interditado na última segunda-feira, vão estudar medidas para serem ressarcidos por prejuízos materiais e morais. Eles retornaram para casa na terça-feira à noite, após a construção ser liberada pela Defesa Civil.
O prédio foi interditado depois que uma escavação, feita para a construção de um edifício no terreno de trás, avançou sob o bloco 3. O buraco ficou ainda maior com as chuvas dos últimos dois dias.
Os moradores dos 16 apartamentos isolados irão se reunir nesta sexta-feira para discutir quais medidas poderão tomar contra a construtora Koerich e Silva, responsável pela obra vizinha.
A moradora do terceiro andar, Marta Tomasi Dalazen, 67 anos, não teme mais pela estrutura do prédio. O medo dela é saber se vai conseguir vender o apartamento ou não. Ela, que é costureira, e as duas filhas estavam com tudo organizado para sair do apartamento e ir para outro maior, que tenha espaço para as máquinas de costura.
Depois da notícia da interdição do prédio, Marta relata que os possíveis compradores sumiram e que assim elas não poderão comprar o imóvel que tinham gostado. A costureira desconfia ainda que o apartamento seja desvalorizado.
— Voltamos para estaca zero. Devemos entrar na justiça para que a construtura nos pague pelos nossos prejuízos morais e materiais — afirma.
A vizinha do andar de baixo, Regina Silva, 45 anos, também não está mais preocupada com a estrutura do prédio, porque disse que a Defesa Civil deixou-os bastante calmos em relação a isso. Ela conta que os técnicos estão vistoriando a obra vizinha todos os dias. Além disso, os moradores foram orientados a verificar se aparecem rachaduras nas paredes e no chão.
Empresa tem 10 dias para reparar buraco
O advogado da Koerich e Silva, Eduardo Bastos Moreira Lima, disse que a empresa precisa aguardar a ação, caso os moradores entrem com uma, para analisar o que poderá ser feito. Ele alegou que no laudo apresentado pela Defesa Civil não aparece nenhum dano material causado ao prédio e que todos os gastos que os moradores tiveram nesses dois dias foram pagos.
A Defesa Civil deu um prazo de 10 dias para a construtora reparar o buraco feito no terreno.
Caso do Solar de Manacor fará três anos
Há três anos, os moradores do edifício Solar de Manacor, no Centro de Florianópolis, deixaram seus apartamentos com a promessa de que em seis meses estariam de volta. Nunca mais retornaram.
A interdição foi feita no dia 13 de março de 2007, quando a estrutura do prédio foi afetada pela construção de um centro comercial no terreno vizinho.
O edifício de 23 anos e 11 andares, cada um com um apartamento, fica na rua Dom Jaime Câmara. Ele era ocupado por 11 famílias. Com a construção do Prime Tower, da construtura Koprime, o prédio sofreu uma inclinação de 26 centímetros e rachaduras apareceram nas paredes.
Três anos depois, o Solar de Manacor está abandonado e seis famílias ainda lutam na justiça pela indenização. Por enquanto, elas moram em imóveis que foram alugados pela construtora. As outras cinco famílias entraram em acordo com a Koprime.
O advogado da empresa, Eduardo Luiz Collaço Paulo, acredita que em breve haja um consenso. No dia 25 de fevereiro, uma inspeção judicial foi feita no prédio. Houve ainda tentativa de nova conciliação. O advogado informou que não foi falado em valores. Os moradores desejam retornar ao prédio, ou recuperá-lo, para que os apartamentos sejam vendidos.
— Conversamos sobre uma possível reforma — completou Collaço.
O advogado dos moradores, Marcelo Buzaglo Dantas, foi procurado mas disse que, na quarta-feira, não podia falar com o Diário Catarinense. Em março do ano passado, houve uma audiência de conciliação, em que nada ficou resolvido. A Koprime propôs pagar R$ 550 mil por apartamento, enquanto os moradores queriam R$ 1 milhão. O advogado não confirma essa informação.
Fonte: Diário Catarinense















