Publicado em: qui, mar 11th, 2010

Construção civil abrirá 271 mil novas vagas em 2010, estima Ipea

Faltará mão de obra qualificada; mercado como um todo ofertará 2 milhões de novos postos.

10/03/10, Brasília, DF – “Para um ritmo de expansão econômica estimado em 5,5%, no ano de 2010 a demanda por mão de obra poderá envolver a contratação de quase 19 milhões de trabalhadores”, publica o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no documento (Comunicado Nº 41) que apresentará à imprensa nesta quarta-feira (10), em sua sede no Distrito Federal.


A construção civil deverá participar com a oferta de 271,3 mil empregos, em cenário que aponta para 2010 a criação líquida de 2 milhões de novos postos, aos quais se somam 16,6 milhões de vagas abertas por demissões (rotatividade), mais a ocupação das vagas já disponíveis, à espera de preenchimento.


O Instituto alerta que a demanda potencial de 18,6 milhões de ocupações exigirá “mão de obra qualificada e com experiência profissional”. Assim como outros setores da economia, diz o Ipea no documento, a qualificação inadequada e a falta de experiência profissional ocasionarão dificuldades para o preenchimento das vagas ofertadas.


Distribuição da demanda da construção – De acordo com os dados do Ipea, os maiores volumes de novas vagas ofertadas pela construção civil se concentração nos estados de São Paulo (84.318); do Rio de Janeiro (28.944); e de Minas Gerais (27.234).


Ainda no referente à criação de novas vagas, os números do Instituto trazem algumas surpresas, no que respeita ao setor da construção. O Distrito Federal, que em 2009 alcançou o segundo lugar do mercado imobiliário nacional, ocupa o 12º lugar (deverá criar 5.865 novas vagas no setor da construção) no ranking do Ipea, atrás do Ceará (8.087); Goiás (8.929); Santa Catarina (9.281); Rondonia (9.474); Rio Grande do Sul (11.794); Pernambuco (13.880); Paraná (14.498); e Bahia (17.436).


Em 2010, diz o Ipea, a construção civil terá o terceiro lugar entre os setores que mais criarão novas vagas: o comércio e reparação, com a oferta de mais de 850 mil novos postos; a indústria, mais de 300 mil; e a construção, com mais de 270 mil ofertas, seguida de perto por hotelaria e alimentação, setor que deverá abrir mais de 250 mil novos postos de trabalho.


Rotatividade – ”Os mesmos setores que serão os maiores ofertadores, serão também os principais responsáveis pela prática da rotatividade (demissão e admissão de trabalhadores, geralmente por salário menor)”, diz o Ipea.


No setor da construção, para vagas abertas por demissões, mais a oferta anterior não atendida, totalizando 16,61 milhões, a liderança também é do estado de São Paulo (443.780), seguido por Minas Gerais (342.169), Rio de Janeiro (150.134), Bahia (102.906), e Paraná (97.167). O número para o Distrito Federal é 30.007.


Enquanto demanda efetiva, o Ipea estima que a construção civil ofertará 528.098 vagas no Estado de São Paulo; em Minas Gerais, 369.403; no Rio de Janeiro, 179.592; Bahia, 120.342; Paraná, 111.685. Para o Distrito Federal, a estimativa é oferta de 35.872 empregos efetivos durante 2010.


Qualificação – Na comparação da oferta de mão de obra qualificada com a demanda, o Ipea considera o seguinte cenário:


Oferta global de mão de obra (número Brasil, igual a soma da demanda de todos os setores do mercado);


Estoque de desempregados, igual a 6,526 milhões.


Novos ingressantes na força de trabalho, iguais a 1,667 milhão.


Empregados demitidos por força da rotatividade, iguais a 16,616 milhões.


Tal cenário identifica demanda de emprego por parte de 24,8 milhões de trabalhadores. “É importante sublinhar que esse contingente de mão de obra não está, necessariamente, preparado de forma adequada para o imediato exercício do trabalho demandado por distintos setores da atividade econômica”, destaca o Ipea no documento.


Na análise do Instituto, a situação é:


Do total de 6,526 milhões de desempregados, somente 1,902 milhão (29,1%) apresentam qualificação e experiência profissional;


Do contingente de 1,667 milhão de novos ingressantes no mercado de trabalho, apenas 751,6 mil (45.1%) tendem a apresentar qualificação e experiência profissional para o pronto exercício do trabalho.


A construção civil é um dos setores apontados pelo Ipea entre os que deverão registrar escassez de mão de obra qualificada, à razão de 38% em relação à demanda de 271 mil novas vagas ofertadas, estimadas para 2010.

Fonte: Imovelweb

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